A vida anda simplismente congestionada. Sons, vozes, imagens, dúvidas, sonhos, escolhas… Gosto da definição de Cazuza que entre o certo e errado existe todo o resto, é esse resto que me infla, que me leva aos limites da minha vã sobrevivência. A tv ligada, as páginas da internet abertas, os compromissos e tarefas diárias, as angústias de uma rotina tão descontrolada e desgastada me reprimem, me confundem e amortecem. Perdi um pouco da fé, ganhei mais um pouco de medo. Cansei de pensar dormindo e sonhar acordada, EU NÃO SEI LIDAR!… Tem como pular essa página, esse capítulo? Será que tem como adiar para o final onde tudo acaba dando certo? As paredes me esmagam, a cidade me sufoca, o espaço me asfixia. Tudo está limitado, contado, friamente calculado. A chuva molha meu corpo, mas a sujeira não escoa, não vai embora. Já disse que tenho medo? É, medo de tudo, e sei que pode não parecer, mas eu me defendo o dia todo de tudo e de nada. Há uma certa conformidade se instalando em mim, os meus passos não são mais meus, as palavras não mais me pertencem, nem ao menos o que escrevo não se parece mais comigo… Eu quis tanto uma verdade inventada, um roteiro de teatro onde é possível controlar as cenas, os diálogos, as reações… Quis tanto ser eu, e quis mais ainda que esse eu não fosse eu. As vezes nem sei mesmo quem sou. Eu sei…tá tudo muito confuso, mas isso aqui sou somente eu e minha insanidade, eu sei que parece complexo e dramático mas isso diz mais sobre mim do que eu poderia dizer em cem anos. Nada de auto-ajuda, por favor, já fiz com que gente demais tivesse pena de mim… A minha inquietude e inconstância são mesquinhas, egoístas, superestimadas por mim mesma que me vejo como protagonista da trama e acabo fazendo é muito drama. Não sei atuar, e olha que tento todo santo dia… Faço a feliz, a animada, a compreensiva, a céptica, a louca, a sonsa, a sabetudo, a responsável, a consciente, entre outros papéis. Acho que embarquei tanto e me perdi tanto neles que agora não tenho uma identidade. Difícil olhar para o espelho e ver apenas um ser. Dupla personalidade seria café pequeno comparando com a variação de mim. E eu sou assim, como esse texto, cheia de palavras, sem formatação, sem revisão. Cheio de pontos e vírgulas e confusão; já me preocupei tanto se ficaria certo, bonito e interessante que hoje resolvi assumir a consciência da minha própria insignificância, admitir que sou apenas mais um alguém e que o que eu escrevo são apenas palavras soltas, bem assim. SEM MAIS.
"Minha aparência é péssima, a mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo."